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O mundo é uma visão que os outros construiram para nos concordarmos ou discordarmos dela. 

O mundo não é nenhuma entidade concreta, mas uma percepção que o homem, na sua interacção com os outros e com o espaço, vai construindo conforme o seu temperamento e imaginação. Por isso, num mesmo espaço existem vários mundos construidos por cada homem que o habita. O espaço é, gradualmente, conquistado e ajustado à imaginação pessoal de tal modo que a subjectividade se converta em objectividade. Viver é isso, e isso tudo é muito bom.
O problema começa quando a subjectividade construida e apresentada como objectividade não é mais vista como mundo alternativo, como uma disjunção inclusiva, mas sim como o único mundo possível. Esse problema não existe do lado de quem concebe esse projecto, mas sim do lado de que recebe que por sua vez nem percebe os mecanismos da sua produção. Geram-se por isso, dogmatismos que equivocam e alienam de tal modo que se nega a possibilidade de mundos alternativos. A alienação hoje consiste na ingenuidade de quem acredita no mundo único que conhecemos como único possível. Por essa razão, julgamos a partir dos próprios princípios, sem admitir limites do nosso olhar. Foi por isso, que quando nasci o meu pai deu-me o nome N'hlolo ya N'guva, não tanto como Vaticinador dos Tempos, mas sim, para que reflectisse no sentido e significado da era em que vivemos. Por essa razão, não me interessa encontrar alguma espécie de verdade, porque aliás, segundo a visão kantiana, ela é uma convenção segundo a estrutura que temos para captar o real.  Interessa-me, por isso, compreender as possíveis verdades do mundo, para que não caia na presunção de ter chegado à Verdade que está apenas reservada a sobrenatureza, por assim pensarmos, por enquanto pertencer à contingência seria injusto adoptar um critério de justiça que ultrapassasse as medidas do sensível.
Só assim, entendido o mundo é que é possível o convívio entre as diversas alteridades.
Aos meus amigos, um grande abraço!

Comentários

  1. Facto: entre as objectividades e as subjectividades existe uma relação de mútuo condicionamento. Contudo, é preciso assumir que vezes há em que a objectividade deixa-se subordinar à subjectividade. É exactamente nestes momentos de subordinação, não muito raros e nem duradouros, em que a humanidade fabrica verdades que fundamentam um oligarquismo “fajuto” e redutor que se vai desmoronando toda vez que se encontra uma mentira na verdade ou por vezes uma verdade na mentira, que não se fez visível na cegueira do pensamento.
    Daí a conclusão: o mundo está constante construção…há sempre uma aresta por limar, uma parede por ajustar, uma pintura por retocar, etc, etc, etc… e esta construção a que prefiro chamar de desconstrução na perspectiva de Jacques Derrida, é feita com base em pros e contras!!!
    Estimei! Bem-vindo à blogosfera!

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